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'Minha vida toda está lá': venezuelanos que moram no RS relatam sentimento de desespero após terremoto

Terremoto atinge Venezuela e derruba prédios em Caracas Desespero. Esse é o sentimento vivido por venezuelanos que moram longe do seu país natal após o terr...

'Minha vida toda está lá': venezuelanos que moram no RS relatam sentimento de desespero após terremoto
'Minha vida toda está lá': venezuelanos que moram no RS relatam sentimento de desespero após terremoto (Foto: Reprodução)

Terremoto atinge Venezuela e derruba prédios em Caracas Desespero. Esse é o sentimento vivido por venezuelanos que moram longe do seu país natal após o terremoto que atingiu a Venezuela na quarta-feira (24). O Brasil tem uma grande comunidade de imigrantes e muitos deles moram no Rio Grande do Sul. "Toda a minha vida está lá mesmo", lamenta Roxanna Bastardo, cabeleireira que mora em Novo Hamburgo. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp ▶️ Contexto: Dois tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 foram registrados em um intervalo de menos de um minuto. Até a última atualização desta reportagem, as autoridades confirmavam 188 mortes e 1.520 feridos. Apesar de ter deixado a Venezuela há oito anos e estabelecido raízes em território gaúcho, Roxanna conta que toda sua família está lá: seus pais, irmão, primos e primas, além de amigos. “É bem forte para nós, que estamos longe. Estou fora há oito anos, é muito tempo sem ver a família. A gente é um povo que sofre por problemas econômicos e políticos. As pessoas que estão lá têm que se esforçar 300% a mais para conseguir ter coisas em suas casas, comida na despensa, e agora perderam tudo”, relata. “É um sentimento de desespero, de tristeza, de dor, muita coisa junto.” Ela diz que foi difícil explorar novos horizontes, principalmente, por ser filha única por parte de mãe. A maior parte da sua família mora no estado de Bolívar, que faz fronteira com Roraima, e foi menos atingido. Porém, tem amigos e uma prima que mora na capital Caracas, que fica próxima ao epicentro do abalo sísmico. “Ela perdeu tudo mesmo. Perdeu casa, perdeu carro. Tem vizinhos que faleceram. Ela e o marido estão muito mal. Tem pessoas muito próximas a eles que ainda não foram encontrados”, diz. Roxanna compara a situação com a vivida pelo Rio Grande do Sul, que, em 2024, também sofreu com uma tragédia provocada por desastre natural com a enchente. “Muitos venezuelanos perderam a casa (durante a enchente). Tenho uma colega aqui de Porto Alegre que viajou para São Paulo e quando voltou para começar a trabalhar vendendo roupas, tinha perdido tudo no alagamento”, relembra. Eddy Betancourt também deixou a Venezuela para viver no Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, decidiu empreender e, aos 62 anos, vende pratos e doces típicos da Venezuela no Raízes Culinárias. Longe de casa, preocupa-se não apenas com as muitas pessoas que estão desaparecidas, mas com o tratamento dos feridos. “Outra coisa que complica mais as coisas é a situação do país. Não tem hospital, não tem medicamento. Como que vão fazer com as pessoas que se encontram vivas? Têm pessoas feridas e não há nada no hospital nem cama. Um amigo estava falando para mim que não vai poder transportar pessoas porque não tem helicóptero. Não tem um helicóptero. Você acredita nisso?” Ela conta de um vizinho que também mora em Porto Alegre e sua filha está desaparecida. “Agora, chegou a informação que um venezuelano perto da minha casa tem uma filha que mora na Venezuela e está desaparecida. Ele e a mulher estão aqui no Brasil e a filha está com o avô. Agora, está desaparecida. Fomos até a casa dele e a porta estava fechada. Não conseguimos falar com ele”, lamenta. Pessoas procuram por vítimas em meio aos escombros após os terremotos em La Guaira, Venezuela, nesta quinta-feira REUTERS/Gaby Oraa VÍDEOS: Tudo sobre o RS

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